EXPO "MUNDO MENT"

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular(CNFCP) inaugurou no dia 8 de fevereiro, a exposição Mundo Ment, que apresentou parte da produção de 25 anos de carreira do artista carioca Marcelo Ment, passando por diversas fases. A mostra, que integrou o Programa Sala do Artista Popular (SAP), ficou excepcionalmente sediada na Galeria Mestre Vitalino. A abertura contou com a presença de Ment, e também com atrações diversas, como Fanfarra Festiva Tricolor e DJs Machintal e Bives Selecta.

Marcelo Vaz Coelho, o Ment, adotou seu nome artístico em referência ao seu apelido na infância. Seus amigos o chamavam de “cabeça”, “mente”. Ele nasceu em 1977, na cidade de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense do Estado do Rio de Janeiro, e cresceu na Vila da Penha, na cidade do Rio de Janeiro/RJ, até se mudar para o bairro de Laranjeiras, sede do time do qual é um apaixonado torcedor, o Fluminense.

Nas obras de Ment, palavras, linhas, formas e cores se fundem para dar corpo a figuras humanas, complexos urbanos, imagens oníricas para citar exemplos de um amplo repertório que reúne e expressa afeto, delicadeza, inventividade e força. Seu compromisso é com a democratização da arte enquanto grafiteiro, artista urbano, arte educador, designer gráfico e, acima de tudo, cidadão. Em suas palavras: “Eu costumo dizer que a minha faculdade foi a rua”; “…as ruas me levaram a estar em contato com todo tipo de gente, a me aceitar e aceitar as diferenças e aprender a conviver com essas diferenças.”

Na cena das artes urbanas, Ment é um nome reconhecido, com obras  espalhadas por muros, coleções e museus do Brasil e do exterior. Seu nome está presente em publicações que são referência no gênero como o “Street Fonts: Graffiti alphabets from Around the world” (2011), de Cláudia Walde, que mapeou caligrafias urbanas de graffiti em 154 países. É o único brasileiro a integrar a renomada “Stick up Kids Crew”, fundada em 1993 pelo alemão Can2, que reúne artistas urbanos de todo o mundo.

No pensamento de Ment, giram inquietações sobre a produção da arte: quem são os atores sociais e as redes de instituições que a produzem no mundo contemporâneo? Ele provoca a refletir sobre caminhos, fronteiras e dilemas acerca dos sentidos atribuídos às artes e suas adjetivações: popular, urbana, contemporânea.

Grafitando muros, pintando telas, realizando impressões em 3D ou trabalhando no meio digital, Ment tem uma linguagem particular, construída ao longo de uma carreira iniciada em 1998. Seu exercício é de alteridade e ação estética, afetiva, social e política. Um convite a quebrar barreiras, rever conceitos e refletir sobre caminhos e o agora.

No Rio de Janeiro, algumas obras de Marcelo Ment se destacam:

  • Painel pintado na exposição “Os objetos e suas Narrativas” do Museu de Folclore Édison Carneiro. Feito em parceria com Airá Ocrespo e Acme, o painel propõe um diálogo sobre os “folclores” que existem em torno da figura do grafiteiro, dialogando com cenas emblemáticas do Rio de Janeiro.

  • Mural em Homenagem a Marielle Franco no bairro Estácio, da cidade do Rio de Janeiro;

  • Painéis integram o projeto intitulado “Lapa Real” criado pelo coletivo Salve Lapa com objetivo de retratar personas emblemáticas do bairro, como dona Marlene e  “Senhor Edinho”;

  • Painel de Madame Satã, realizado tendo como referência visual a conhecida fotografia de Walter Firmo.

  • Capas dos discos: “TransmutAção”, de BNegão e os Seletores de Frequência; “Só Vem”, do cantor Thiaguinho; “O Futuro pertence à Jovem Guarda”, de Erasmo Carlos; e  do EP “Rio”, de Papatinho.

  • Pintura no gigante mosaico em 3D do sambista Cartola, com a camisa do Fluminense;

  • Painel em homenagem ao emblemático goleiro Carlos Castillo, do Fluminense.

Sobre o Programa Sala do Artista Popular

Mundo Ment foi a 205ª exposição do Programa SAP, criado em 1983 com o intuito de oferecer um espaço de exposições de curta duração, voltado para difundir e comercializar as obras de artistas e comunidades da cultura popular. Cada catálogo é desenvolvido a partir de pesquisa etnográfica e documentação fotográfica realizada pela equipe do CNFCP. Mesmo depois de encerrada a exposição, os artistas podem continuar enviando suas obras para o espaço de comercialização do Centro. A partir da divulgação e do contato direto com o público, abrem-se oportunidades de expansão de mercado e de produção.

Excepcionalmente, a exposição Mundo Ment foi realizada na Galeria Mestre Vitalino, pois a Sala do Artista Popular estava passando por reforma em suas instalações elétricas.

A exposição teve a presença de 15.000 visitantes.

Parcerias:

- Associação dos Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (Acamufec)
- Utopia - Arte & Cenografia

Apoios (abertura):

- Café del Rio Coffee Roaster
- Öus
- Motim
- Backbone
- Nó de Marimba

Fotos: @lucascgibson

Carrinho de compras
×